A maternidade é uma jornada cheia de decisões e uma delas envolve o uso de chupetas e mamadeiras. Essa escolha pode gerar dúvidas, já que há muitas opiniões diferentes sobre o tema. Aqui, reunimos informações baseadas em evidências científicas para ajudar você a fazer uma escolha consciente.

Amamentação e seus benefícios
A amamentação oferece inúmeros benefícios para a saúde do bebê, da mãe e da sociedade como um todo. Estudos demonstram que o aleitamento materno reduz riscos de infecções, promove o desenvolvimento saudável e fortalece o vínculo entre mãe e filho. Diante disso, identificar fatores que possam interferir na amamentação é essencial para prolongar sua duração.
O impacto do uso de chupetas
Pesquisas indicam que o uso da chupeta está associado a um tempo menor de amamentação, sendo um fator de risco para o desmame precoce, principalmente nos primeiros dois anos de vida. No Brasil, embora tenha havido uma redução no uso da chupeta entre 1999 e 2008, esse hábito ainda é bastante comum e pode trazer consequências para a saúde oral e o desenvolvimento infantil.
Quando a chupeta é introduzida?
Estima-se que a maioria das mães ofereça chupeta a seus bebês em algum momento do primeiro ano de vida, sendo que a introdução geralmente ocorre entre o primeiro dia e a primeira semana de vida. Esse uso precoce pode impactar negativamente a técnica de sucção do bebê e a manutenção da amamentação.

Prós e contras do uso da chupeta
Não há uma recomendação única sobre o uso da chupeta. A Academia Americana de Pediatria sugere que, se os pais optarem por usá-la, a introdução deve ocorrer somente após o estabelecimento da amamentação, por volta das três ou quatro semanas de vida. O uso da chupeta pode reduzir o risco de Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL), mas também pode prejudicar a sucção correta do leite materno.
Diversos profissionais da saúde apontam que os efeitos negativos da chupeta superam os positivos. Seu uso prolongado pode afetar funções orais, respiração, fala e dentição, além de influenciar hábitos na vida adulta, como roer unhas ou fumar. Estudos também sugerem que crianças que usam chupeta podem receber menos estímulos verbais e sociais dos pais, impactando o desenvolvimento da linguagem.
O impacto da chupeta na função oral
- Sucção: A chupeta promove a sucção não-nutritiva, podendo levar ao cansaço muscular e à chamada “confusão de bicos”, dificultando a ordenha do leite materno.
- Mastigação e deglutição: A amamentação fortalece os músculos orais, preparando o bebê para a alimentação sólida. O uso prolongado da chupeta pode alterar a mastigação e causar problemas na articulação da mandíbula.
- Respiração: Bebês que usam chupeta frequentemente desenvolvem o hábito de respirar pela boca, o que pode levar a problemas respiratórios e alterações no crescimento craniofacial.
- Fala e linguagem: O uso prolongado da chupeta pode afetar o desenvolvimento da linguagem, alterando a articulação dos sons e a formação das palavras.
- Dentição: O uso contínuo pode levar a alterações na posição dos dentes e na mordida, aumentando a necessidade de tratamento ortodôntico.
Argumentos a favor da chupeta
A sucção não-nutritiva pode ser benéfica para bebês prematuros que se alimentam por sonda, ajudando na transição para a alimentação oral. No entanto, esses estudos não analisaram possíveis impactos negativos na amamentação a longo prazo.
Considerações finais
O uso da chupeta deve ser uma escolha informada. As evidências científicas indicam que, apesar de alguns benefícios pontuais, os riscos à amamentação e ao desenvolvimento infantil são significativos. Profissionais de saúde devem fornecer informações claras para que os pais possam decidir de forma consciente e segura o que é melhor para seu bebê.
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