A vagina, o sexo e o parto

A vagina, o sexo e o parto

Não há como negar que o parto é um evento importantíssimo na vida sexual das mulheres. É só entrar em uma casa com uma mulher na fase ativa do trabalho de parto para perceber: os sons do parto são gemidos parecidos com o som do sexo; os cheiros do parto são os cheiros do sexo; o bebê vem de dentro para fora, descendo na vagina da mulher pelo mesmo canal que entrou em uma relação sexual 9 meses antes.

Não é à toa que a ocitocina – hormônio responsável pelas contrações uterinas no trabalho de parto- é o mesmo hormônio produzido nos orgasmos. Colocando assim, fica fácil entender que um ambiente que seja favorável ao sexo também será mais favorável ao parto. Talvez por isso a fisiologia funcione tão bem quando uma mulher dá a luz na sua casa, o sexo costuma ser melhor em casa também.

Uma amiga parteira muito querida diz uma coisa que parece engraçada mas que é muito séria: nós queremos no parto uma vagina feliz! Sempre que digo isso no consultório as pessoas riem, mas é muito legal essa figura: uma vagina feliz é aquela que a cabeça do bebê toca e ela cede, relaxa, deixa passar. Uma vagina tensa contrai, segura, se assusta.

Isso não quer dizer que apenas as mulheres bem resolvidas com sua sexualidade vão conseguir parir seus bebês. Temos histórias belíssimas de mulheres que aproveitaram a gestação e o parto com todo seu potencial de transformação para conhecer mais da sua sexualidade, experimentar sensações novas e ressignificar traumas físicos ou energéticos nos seus órgãos sexuais (já houve quem ligou 3 meses pós parto feliz da vida para contar para as parteiras que teve o primeiro orgasmo da vida!).

Em uma sociedade machista como a que vivemos, onde mulheres são achatadas desde que nascem, onde sentar de pernas abertas é um erro gravíssimo, tocar na própria vagina é “sujo”e sentir prazer é pecado, precisamos aproveitar esse momento tão único que é a gestação para falar sobre sexualidade com as mulheres. Precisamos lembrar que ao tocar uma vagina estamos tocando uma história, uma cultura, um mundo de crenças e que para isso precisamos de consentimento.

E quando nos perguntam como abordamos o assunto no pré-natal, é simples: é só perguntar. As mulheres que tem angústias genitais estão loucas para serem ouvidas.

Quando o assunto é a vagina, o sexo e o parto, a trilha vale mais do que o trilho.