Dúvidas sobre o parto domiciliar

Dúvidas sobre o parto domiciliar

Onde a equipe atende?

Atendemos partos domiciliares planejados na cidade de Brasília/DF. As consultas de pré-natal e puericultura acontecem no nosso consultório que fica na SMLN MI 3 Conjunto 3 Lote 37C – Lago Norte, Brasília/DF

O que é necessário para um parto em casa?

Primeiramente incentivamos a busca de um profissional capacitado para prestar uma assistência adequada tanto para a mulher quanto para o recém-nascido no momento do nascimento. Em Brasília existem algumas profissionais que atendem partos domiciliares planejados, além de conhecer as profissionais é importante que a mulher se sinta a vontade com a filosofia, ou o método de atendimento de cada profissional. A empatia entre a gestante e a parteira é fundamental para o sucesso do parto em casa.

O parto domiciliar planejado pressupõe uma responsabilidade compartilhada entre o casal, a parteira e as demais pessoas da equipe envolvidas no nascimento. A profissional deve expor de forma clara tanto os riscos e causas de insucessos quanto os benefícios de um nascimento em casa. Em contra-partida, a gestante ou o casal deve disponibilizar todas as informações necessárias sobre a gestação, bem como os exames realizados no pré-natal que comprovem uma gestação saudável, além de se buscar alternativas para possível encaminhamento intra-parto ou pós-parto imediato para a instituição hospitalar (plano “B”). Os partos domiciliares estão indicados para gestações de baixo risco (sem patologias), em que o parto aconteça a termo, ou seja, entre 37 e 42 semanas.

Quando começar o acompanhamento com as parteiras?

O quanto antes!!!! Cada parteira se compromete com, no máximo, 3 mulheres por mês como parteira principal. Assim diminuímos as chances de partos acontecerem simultaneamente e mantemos a qualidade do atendimento. O ideal é que o acompanhamento pré-natal com a parteira comece no primeiro trimestre de gestação. É importantíssimo esse contato para a formação de vínculo e laços de confiança entre ambas as partes. As consultas no primeiro e segundo trimestres da gestação são mensais. A partir de 30 semanas as consultas são quinzenais até 36 semanas e, a partir daí, as consultas serão semanais até o nascimento.

Quais as vantagens do parto na água?

O parto na água é uma forma de parir que possibilita à mulher um parto ativo e com autonomia, isso nos dias de hoje é uma raridade! A maioria das vezes a mulher não se sente tão desamparada e dependente como no parto na cama, ou fora da água. A liberdade de movimentação e a sensação de segurança facilitam a percepção dos processos em seu corpo. A água aquecida proporciona um relaxamento de musculatura profunda, o que ajuda a diminuir significativamente a sensação dolorosa, minimizando as intervenções desnecessárias. Esse relaxamento faz com que a mulher consiga se organizar emocionalmente para atravessar as fases seguintes do trabalho de parto com mais tranquilidade. A água quente melhora a circulação e ajuda a preservar o períneo de lacerações. A saída do bebê na água é lenta, facilitando uma transição mais suave para a vida extra-uterina. O bebê só tem o reflexo de inspiração quando sua face entra em contato com o ar.

Quais os riscos de um parto domiciliar planejado?

Os mesmos riscos de um parto hospitalar, porém as chances do parto domiciliar complicar são menores pois será respeitada a fisiologia do nascimento. Numa gestação de baixo risco, as intercorrências estão relacionadas quase que diretamente com as intervenções intra-parto (ocitocina de rotina, restrição de alimentação, restrição de movimentação, episiotomia, manobra de Kristeller, entre outras). Em casa não vamos usar medicação para induzir ou acelerar o trabalho de parto, assim como o uso do fórceps ou qualquer outro instrumento para extrair o bebê. O parto em casa deve acontecer naturalmente, sem intervenções. Diante das raras complicações (hemorragia pós-parto, reanimação neonatal) vamos intervir até o re-estabelecimento do quadro ou a transferência para a maternidade.

O que as enfermeiras levam para o parto em casa?

Nós vamos levar o material necessário para atendermos o parto (sonnar, estetoscópio, esfigmo, pinças esterilizadas, campos estéreis, material para sutura, anestésicos, luvas…), material para reanimação neonatal (ambu, cilindro oxigênio, tapete aquecido) e material para o atendimento às intercorrências pós-parto (soro para reposição de volume, material para punção venosa, medicação para controle de hemorragia). Isso é o que levamos, e na grande maioria das vezes trazemos de volta sem usar nada. Só deixamos o ambiente da casa quando nos certificamos que mãe e bebê estão estáveis.

Quais são os cuidados prestados ao recém-nascido em casa?

Praticamente os mesmos realizados no hospital, só que em tempo diferente. A prioridade no pós-parto imediato é manter o bebe pele-a-pele com sua mãe. Dos braços da mãe, para os braços do pai, e só depois, às vezes duas horas depois, vamos realizar o exame físico do recém-nascido. Cabe ressaltar que, caso o bebê venha precisar de um suporte logo que nascer, esse suporte será realizado no colo da mãe, ainda ligado ao cordão umbilical. No exame físico do bebê vamos realizar os testes para os reflexos neurológicos, peso e medida. Todos os dados serão anotados na caderneta do recém-nascido oferecida pela Secretaria de Saúde do DF e que nós levamos. Também será preenchida a Declaração de Nascido Vivo (DNV) para proceder o registro do bebê em qualquer cartório. Não fazemos a aplicação do colírio antibiótico no recém nascido (todas as mulheres que atendemos se enquadram na gestação de baixo risco.

A Vitamina K é administrada após o nascimento em casa?

A aplicação da Vitamina K fica a critério do casal e deve ser prescrita. A vitamina K produzida nos intestinos e responsável em conjunto com outros fatores pelo processo de coagulação do sangue. Os recém-nascidos não produzem ainda vitamina K pelo fato do intestino ainda não estar colonizado. Da mesma forma o colostro não contém vitamina K e o leite materno contém quantidade mínima. A vitamina K ajuda a prevenir a “doença hemorrágica do recém-nascido”. Esta doença pode ser classificada entre precoce (na primeira semana de vida), clássica (nas duas primeiras semanas de vida) ou tardia (entre 2 semanas e 12 meses de vida) dependendo de quando se inicie. Segundo a Academia Americana de Pediatria a incidência desta doença é de 0.5-1,7 % na primeira semana de vida e de 4.4-7.2 por 100 000 nascimentos entre a segunda semana e os 12 meses. Baseando-se neste fato a Academia Americana de Pediatria sugere desde 1961 a aplicação de 0,5-1mg de vitamina K por via intra muscular (injeção) em todos os recém-nascidos para a prevenção da doença hemorrágica do recém-nascido. Esta é também a recomendação da OMS e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A vitamina K também pode ser administrada por via oral em 2 doses pois a absorvição por este meio é menos eficiente. A incidência é muito baixa o que leva à maiorias dos casais a optarem por não administrar a Vitamina K.

Posso ter um PD após cesariana?

As pesquisas e a nossa experiência mostram que os partos vaginais após cesareanas são opções seguras e viáveis. Estudos mostram taxas de roturas uterinas (rompimento do útero no local da cicatriz da cesária) em mulheres com cesarea anterior em torno de 1%.1,2 Há que se lembrar que os riscos envolvidos na segunda ou terceira cesariana (sangramentos, infecções, aderências) são maiores do que essa taxa.

Acompanhar um PD após cesariana exige alguns cuidados especiais por parte da equipe, e a mulher/casal devem estar cientes de todos os riscos e benefícios envolvidos nesse processo. Quando a mulher toma a decisão pelo parto domiciliar consciente da responsabilidade compartilhada, tende a ficar mais tranquila e segura no processo do nascimento.

1. Tahseen S, Griffiths M. Vaginal birth after two caesarean sections (VBAC-2)—a systematic review with meta-analysis of success rate and adverse outcomes of VBAC-2 versus VBAC-1 and repeat (third) caesarean sections. BJOG 2010;117:5–19.
2. ACOG Prectice Bulletin Number 115 August 2010 disponível na internet em formato PDF no endereço http://www.ourbodiesourblog.org/wp-content/uploads/2010/07/ACOG_guidelines_vbac_2010.pdf

O atendimento ao PD por enfermeiras é legalizado?

Sim. Podem atender partos domiciliares no Brasil, além de médicos e parteiras tradicionais, as enfermeiras com especialização ou residência em obstetrícia ou as obstetrizes – também conhecidas como Parteiras Urbanas.

Esse atendimento é respaldado pelo Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987 – que regulamenta a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem.

À enfermeira obstetrica cabe o acompanhamento do parto normal sem distócias, o reconhecimento precoce de distócias e tomada de providências até o atendimento médico, se necessarío. Ainda, é capacitada para aplicar anestesia local e suturar lacerações no períneo, se houver.