Ninguém aqui te julga

Aliás, ninguém, em lugar nenhum, deveria te julgar.

Nem você mesma.

A carga sobre nossas costas, colocadas por outras pessoas, por toda uma sociedade
e uma cultura que não nos reconhecem de fato, já é demasiado pesada.

Nós podemos e devemos nos aliviar de fardos ou culpas que não têm necessidade

de existir ou de nos fazer companhia, sobre nossos ombros.

O possível é suficiente.

Não há ferida que o amor não cure.

A cesariana que apareceu como melhor opção não é derrota.
A laceração do períneo não é derrota.
Nem o puxo dirigido, nem o uso de fórmula são derrotas.

Sabe essas cicatrizes no seu corpo? São os registros das memórias que te tornaram quem você é hoje.

Daqui, nós vemos isso. Reconhecemos as lutas internas e externas que você travou e segue travando.
Sabemos das superações pelas quais passou, ainda que a maior parte delas não tenhamos acompanhado de perto,
já que caminhamos juntas por esse período de alguns meses.
E sabemos que você, sua vida, sua história são muito, muito maiores que isso.

Não dá mais pra ser como era antes nem pra ser como havia imaginado, né, amada?!

Ainda que as marcas do ventre, do períneo ou dos seios não existissem, as da alma…
Ah!… As marcas da alma existiriam de toda forma!…
E elas te embelezam e te fortalecem de uma maneira tão maravilhosamente linda e potente!

Permita-se enxergar, mulher. Nós vemos você desse jeito.

Quem sabe um dia, avançando juntas nesse aprimorar-se contínuo,
tenhamos acesso aos porquês e clareza sobre o sentido e o significado dos caminhos
que a Vida precisou traçar.

Até lá, vamos olhar para o fato concreto: você é incrível!

Nós vemos e reconhecemos você.