Pré-Natal Coletivo

Pré-Natal Coletivo

Ao longo dos anos atendendo partos domiciliares ficou muito claro para nós que o pré-natal é o momento mais importante para a construção da segurança na hora do parto. “Quanto mais fazemos no pré-natal, menos precisamos fazer no parto” foi uma frase muito ouvida por quem passou pelo nosso atendimento. Mas, apesar da qualidade que conseguimos imprimir nas consultas pré-natais, percebemos ao longo dos anos que um dos fatores mais empoderadores para as mulheres/casais é estar em contato com outras gestantes/casais com histórias semelhantes, enfrentando os mesmos desafios de quem opta por um parto natural hoje em dia.

Na perspectiva de sempre oferecer o que há de melhor para as nossas gestantes/famílias atendidas, fomos pesquisar e encontramos um modelo muito legal já usado em mais de 500 serviços de saúde americanos e por algumas equipes no Brasil chamado Centering Pregnancy – explicaremos abaixo como funciona.

Uma das coisas que mais nos encantou nesse novo modelo de atendimento ao pré-natal coletivo foi a possibilidade de trabalhar para que o protagonismo do processo de gestar/parir/maternar seja realmente do casal/família, ao invés de centrar-se na figura da parteira/enfermeira/médica. Por meio dele é possível cuidar da saúde com suas particularidades (há momentos privados), realizar o aprendizado interativo (favorecendo a troca de experiências) e a criação de uma rede de apoio que se sustenta, ajuda e permanece cooperativa na maternagem/paternagem. A experiência no exterior mostra resultados perinatais melhores do que os do pré-natal tradicional, com redução de prematuridade e bebês de baixo peso ao nascer, além de ter se mostrado uma ferramenta fantástica na mudança de hábitos de vida e melhora dos cuidados à saúde das famílias.

Como funciona

As consultas coletivas são realizadas em grupos de gestantes/casais com idade gestacional parecida e tem a duração de 2 horas. O mesmo grupo segue junto em todas as consultas até o parto e no pós-parto, e é mediado pelas mesmas enfermeiras/parteiras/médicas. Todos os meses um novo ciclo de consultas coletivas será iniciado para acolher as novas famílias que chegarem para o pré-natal.

Ao chegar, a gestante/casal encontra a parteira em um espaço privado para uma breve conversa, exame físico, anotação de exames e discutir alguma questão de natureza pessoal; questões gerais serão tratadas no grupo.

Anotados os dados clínicos, todos reúnem-se em uma roda de conversa, onde terão espaço para dividir angústias, preocupações, compartilhar experiências, receber orientações e preparo para o parto e maternidade / paternidade.

Os encontros são mensais até 30 semanas, quinzenais de 30 a 36 semanas e semanais após essa data, finalizando com um encontro coletivo pós parto, onde os novos desafios serão compartilhados. As demais consultas do puerpério serão feitas individualmente.

Por quê o pré-natal coletivo funciona?

– Agestação é tempo de mudanças e uma excelente oportunidade de reflexão para todas as pessoas envolvidas nesse processo;
– A grande maioria das mulheres terá uma gestação saudável e sem intercorrências;
– Esse é um momento da vida das mulheres em que há um grande potencial para abandonar hábitos não saudáveis e transformar os padrões de saúde;
– O sistema de aprendizado na vida adulta é complexo e envolve vários caminhos, entre eles o contato com os profissionais, trocas informais com amigos e semelhantes, mídias digitais e compartilhamento de informações com pessoas que passam por experiências parecidas;
– As gestantes têm a oportunidade de passar duas horas por consulta com os profissionais que estarão presentes no parto o que gera confiança e tranquilidade – ao mesmo tempo em que podem construir uma rede de apoio com outras gestantes/casais que será muito útil durante toda a gestação e na maternidade;
– É divertido, propicia o surgimento de amizades e tem ótimo custo/benefício.

Plantando as sementes de um novo modelo de assistência ao parto no Brasil

O pré-natal coletivo surge como a semente de uma nova cultura em torno do parto à medida em que pretende empoderar as mulheres/casais não no sentido de “dar poder”, mas facilitar o resgate deste poder das mulheres sobre seus corpos, seus partos e suas vidas a partir da tomada de decisões informadas, o que inclui também a construção de uma maternidade/paternidade conscientes e ativas.

Nessa nova ótica, as mulheres/casais terão ferramentas para construir a segurança e confiança em si mesmas, na equipe assistente e poderão contar com uma forte rede de apoio de outras mulheres/casais para sustentar essa mudança de paradigma em direção ao nascimento seguro, respeitoso e amoroso para nossa humanidade.

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