Relato de pai: o nascimento da Ervilha! Por Marcos Bauch

Relato de pai: o nascimento da Ervilha! Por Marcos Bauch

Oi pessoal, este post é pra contar que o filhote nasceu  no dia 21/04, às 13:54, com 3,9kg e 51cm.

O nosso parto foi muito bonito e emocionante. ‘Nosso’ porque eu me senti parindo junto, participando de tudo e chorei de emoção no final : )

Mas vamos do começo:

Depois de uma noite bem dormida, acordamos as 7:30 e a Marilia sentiu que tava saindo um liquido estranho – era o tampão saindo, mas ainda não sabíamos disso – tomamos o café da manhã e veio um ‘xixizão’ – era a bolsa rompendo, mas ainda não sabíamos disso – seguido por uma cólica bem incomoda – eram as contrações da fase ativa, mas ainda não sabíamos disso.

Continuamos com a rotina normal da casa. Eu fui lavar a louça e a Marilia foi se arrumar pra passar o dia.

Quando eu acabei de lavar a louça, fui trabalhar numa tradução enquanto a “cólica” já tava bem forte. Ela não conseguia achar uma posição confortável, nem no sofá, nem na bola de pilates, nem na cama, nem de pé, nem sentada, nem no chuveiro. Ficou andando pra la e pra cá, varrendo o chão, tirando o lixo, e a “cólica” rolando.

Mesmo com a dor das “cólicas” aumentando cada vez mais, a Marilia insistia de que “não é nada. Vai passar daqui a pouco. Não vai nascer hoje, não”.

Ainda assim, ligamos pra nossa parteira (que mora aqui no mesmo condomínio) e pra Doula. Todas diziam que não era nada, que provavelmente era apenas a fase latente, que era pra tomar um Buscopan pras cólicas, tentar comer alguma coisa e ir cronometrando as contrações – foi aí que descobrimos que as “colicas” eram contrações.

Comecei a arrumar a sala, por via das dúvidas. Abri espaço, empurrei os móveis, coloquei o tatame no chão, inflei a piscina, deixei os baldes e aquecedores de água prontos, coloquei a extensão no chuveirinho e cortei umas mexericas pra ela comer.

Nada adiantava e as contrações aumentando de intensidade. Depois de uma hora controlando e cronometrando, liguei pra parteira dizendo que foram 46 contrações em uma hora, com média de 45s de duração e 1min entre cada uma.

Esses números foram o sinal de que o trabalho de parto ja tava em pleno andamento! Nada de fase latente, ja era fase (muito) ativa!

Ligamos pra Doula e pra fotógrafa, dizendo que podiam vir imediatamente e corri pra começar a encher a piscina com água quente. A Marilia se esgoelava de tanto gritar de dor.

Assim que nossa vizinha-parteira chegou (ja era meio dia), ela examinou a Marilia e viu que ja tava com 8cm de dilatação (pra quem ainda não está nesse universo, 8cm de dilatação é estar praticamente parindo).

O resto da equipe chegou la pelas 12:30 – 13:00. Colocamos a Marilia na piscina, mesmo estando ainda meio vazia e eu fui liberado da função de esquentar água, pra ficar ao lado dela.

Entendi como nunca o que significa manter a energia estável, constante e presente. O mundo podia explodir que eu iria ficar ali, olhando nos olhos da Marilia. Nada me abalava: nem os gritos, nem a expressão de dor, nem a equipe, nem o calor, nada.

O mundo foi desligado e só sobraram os olhos dela.

Vi a cabecinha emergindo bem devagar, a cada contração. Primeiro os cabelos, depois as orelhas e, numa última contração, um jato quente fez sair um corpo todo enrugado.

As 13:54 o Miguel veio ao mundo, dentro d’água, e eu segurei aquele serzinho frágil e assustado. Entreguei pra Marilia e entrei na piscina. Ficamos ali um tempão, curtindo aquele presente que chorava e tremia todinho.

Mergulhei na piscina…

… e beijei essa menina guerreira

Oi, pequeno!

Oi, mamãe!

Levaram a Marilia pra cama, deixaram ela e o bebe se conhecerem, esperaram a placenta sair e eu cortei o cordão umbilical quando este ja não pulsava mais.

 

Ajudaram o Miguel a dar sua primeira mamada, fizeram todas as medições e nos deixaram no quarto sozinhos, nos curtindo : )

(estou com os olhos cheios d’água só por escrever isso tudo)

***

A Marilia não teve nenhuma complicação: não levou nenhum ponto, não teve nenhuma laceração e nem pressão baixa. Saiu com uma fome de leão e algumas horas depois ja estava andando, tomando banho e jantando uma canja comigo.

Estamos todos muito bem e logo, logo, teremos aventuras do Miguel para contar aqui no Blog

***

Quero deixar registrada toda a minha gratidão pela equipe que nos guiou, ajudou e cuidou durante toda essa nossa jornada: as parteiras Iara e Ana Cyntia, a Doula Clarissa e a ótima fotografa Débora (todas as fotos deste post são obra dela).