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Relato de parto da Camila


“Vou começar esse relato ao contrário…rsrs. Vou começar dizendo EU PARI. E ao dizer isso, as lágrimas correm. Lágrimas inundadas de ocitocina.

Minha gestação foi uma superação pra mim desde o primeiro instante. E não poderia falar do meu parto sem falar um pouquinho de tudo que atravessei.

Tive uma embolia pulmonar poucos dias antes de engravidar. De lá pra cá foram mais de 500 injeções de anticoagulante. Tive descolamento de placenta. O estresse da pandemia. Familiares e amigos com covid. Um medo grande de ter uma depressão. Um acidente doméstico sofrido pelo meu marido (77 dias fazendo curativo). Diante de tudo isso, não tive muito tempo pra pensar na gestação. Isso doeu.

Mas com 34 semanas um alerta acendeu. Fui a uma consulta de PN e ouvi a frase “vamos marcar a sua cesárea”. Bateu o desespero. Não queria passar por isso de novo. Não podia. Não tinha estrutura emocional pra fazer outra cirurgia, outra cesárea sem uma necessidade real.


Eu precisava sair daquela situação, mas no meio da pandemia e já com 34 semanas, o que eu poderia fazer?


Eu precisava de uma luz. Uma luz que me orientasse a fazer o que realmente fosse necessário. Eu precisava de uma luz…eu precisava da Luz…Luz de Candeeiro. E foi na Luz que encontrei o meu refúgio, meu porto seguro pra poder parir em paz.

Ouvir um “sim, você pode parir” não tem preço.
Então vamos lá… consultas… acolhimento… muito acolhimento. Me senti como se fosse a única gestante da equipe. Parecia que não existia ninguém além de mim. Me senti amparada.
Muitos desafios vieram. A espera foi o maior deles. Longas 42 semanas. Suadas 42 semanas.
Vamos à indução. O menino tá com preguiça…rsrs!

Início: 8h da manhã do dia 05 de setembro. Passamos a sonda. Fizemos exercícios. Fomos pro hospital. Começamos a ocitocina. Caminhadas. E as contrações vieram. Aaah! Como sonhei com esse momento. Era real. Estava acontecendo. Eu ia parir.

Fomos pra sala de parto humanizado. Dra. Renata, Dra. Bárbara, Pedro – meu grande companheiro de jornada e de vida e eu. Eu já estava na partolândia e não estava entendendo muito bem como tinha ido parar ali.

As dores ficaram mais fortes. Muito fortes. Começaram a tomar conta de mim. Tive medo. Procurei me ligar a todas as forças femininas que acredito. Busquei a força delas para manter o mínimo de equilíbrio…Não deu certo…rsrs! As dores ficavam cada vez mais fortes e a vontade de desistir também. E em cada dor, eu encontrava um olhar, uma palavra de carinho para que pudesse atravessar mais uma contração. Não foi fácil. Implorei pela analgesia. Pedi cesárea…


Mas foi na banheira que alguma coisa mudou dentro de mim. Eu sentia que tinha alguma coisa me travando. E o poder transformador da água veio limpando tudo e abrindo os caminhos dentro de mim para que eu pudesse trazer à luz o meu filho. Não sei quanto tempo fiquei ali. Sei que falava de tudo que passei durante a gestação. E sentia dor. Muita dor. E dormia entre as contrações. E sonhava. E acordava com as dores. E encontrava de novo aquelas pessoas que estavam ali por mim e pra mim. Eu ouvia que ia conseguir, mas não acreditava. Mas elas e o Pedro não me deixaram desistir.

O tempo passou. E eu já não aguentava mais. Renata, então, sugeriu uma nova avaliação. 7cm. Tá perto. Mas eu fiquei com medo de que estivesse muito longe. Eu não aguentaria mais duas, três horas. Bateu uma vontade de fazer xixi. Levantei. Fui ao banheiro. Sangue. Voltei pingando. Renata e Bárbara comemoraram. E então veio a vontade de fazer força. E a força veio. “Posso gritar?”, perguntei. “Você pode fazer o que você quiser”, disse a Renata. Me libertei. Encontrei em mim a força que eu não sabia que tinha. A força que veio por meio da Luz, pela Renata e pela Bárbara, e do Amor do meu amado companheiro. Eles me fizeram acessar essa força dentro de mim. E quando ela chegou, me inundou de coragem.

Fui pra banqueta. Pedro sentou-se no chão a minha frente, juntamente com a Renata. A Bárbara ficou atrás de mim, me apoiando. E que apoio. Renata disse: “coloca a mão pra vc sentir seu filho vindo.” Não acreditei quando senti a cabecinha. Era real. Era muito real. E ainda perguntei “já estou no expulsivo?”…rsrs! Parecia um sonho.


Renata perguntou pro Pedro “quer segurar seu filho?”. Que sonho! Era exatamente assim que eu tinha imaginado. Rafael nasceu. Pedro segurou nosso tão esperando filho e me entregou. Não poderia existir momento mais perfeito que esse. E aquela onda de amor tomou conta de mim, do meu coração…e que amor.

Eu consegui. Às 00h38 do dia 6 de setembro de 2020, eu pari. Pari um filho e renasci em mim. Renasci para o amor, que agora é maior e reverbera dentro de mim. Renasci como mulher e como mãe.

Grata Renata e Bárbara por estarem com a gente. Grata, Pedro, por fortalecer em mim, em todos os momentos, a minha decisão de parir.

Grata a todos da Luz de Candeeiro por nos permitir viver momentos tão importantes.

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