Relato de parto da Thais

O meu parto começou no dia 08/08/2019, dia que nunca vou esquecer, pois minha mãe estava internada no PS do Hospital de Base e no dia seguinte seria aniversário do Cefas. Eu sei que isso é muito íntimo, mas não tem como falar do meu parto sem falar de tudo, peço licença, então, para as próximas linhas que vão ler.

Bem, o dia 08/08/2019 era para ser o dia de uma típica “rapidinha” por insistência do companheiro, considerando que estava em um nível de estresse elevado com a minha mãe completando um mês de internação. Realmente, não tinha cabeça. Mas… fui surpreendida, aconteceu um orgasmo maravilhoso (não vou falar mais do que isso, prometo, apenas o diálogo, motivo pelo qual conto esta história, rsrs). Depois que finalizei, perguntei a ele, de um lugar de ilusão em que me encontrava: – Ainda falta você terminar, né?, pensando ainda “que homem mais generoso (é sério que pensei isso!)” Ao que ele me respondeu: – Terminar o quê? Fui no embalo. Naquela hora, gente, eu só soltei o meu “PQP” e fui ao banheiro.

Quando estava lá, um pensamento surgiu: – Será que eu engravidei, Deus? Eu sempre te pedi para que se um dia isso acontecesse, fosse com um orgasmo top, porque, sinceramente, se for para uma vida para vir a esse mundo, tem que ser assim. Neste momento, o Cefas do quarto fala: – Essa foi uma transa boa pra engravidar, em? Você não queria que fosse assim? Eu voltei do banheiro chorando e ele disse: – Desculpa, pérola, eu não consegui segurar.

Toda essa introdução, por quê? Uma doula querida que tive o prazer de conhecer nessa jornada, a Vanja, por meio de um workshop que ela promoveu, disse: “O parto inicia no momento da concepção”. E esta era a crença que me circundava e que foi materializada através da boca dela. Para mim, os nove meses de gestação foram o meu parto e, não foi atoa, que o desfecho, se alinhou com o início.

O grande dia aconteceu em 20/05/2020, com 40 semanas e 2 dias, começou na madrugada, por volta de 03 hrs da manhã, quando retornei do banheiro e bolsa tinha estourado. Saiu aquele líquido transparente com cheiro de água sanitária, porém, a quantidade não foi tão grande, apenas o suficiente para molhar minhas pernas e um pouco do chão.

De início, não doeu nada, então tentei dormir e descansar, seguindo a recomendação que recebi da equipe que me assistiu durante a gestação, porém, não consegui. Vinha cólicas, tipo menstruação e estava bem ansiosa.

Quando começou a amanhecer resolvi ir para sala e pedi para o Cefas fazer um mingau de aveia com banana, para ver se me ajudava a fazer o número 2, porque como não tive a famosa de disenteria que anuncia a chegada e fiquei preocupada disso atrapalhar (a iludida, mais uma vez rsrsrs).. Comi, fiquei deitada, sentindo cólicas.

Por volta das 08hrs, a intensidade começou a aumentar, nesse momento, comecei a fazer vocalizações e pedir para o Cefas apertar minha lombar. Estava tentando monitorar as contrações, mas, sinceramente, se me perguntarem hoje: – Thais, o que é uma contração?, eu não vou saber responder. Então não sabia dizer quando iniciava, quando era o pico, nem nada. Meu companheiro igualmente não foi muito bom nessa parte, além do que ele estava aprontando as coisas no carro, enquanto as dores vinham, não dava para monitorar.

E aí nós estávamos em contato com a equipe da Luz do Candeeiro [que foi quem maravilhosamente nos guiou nesta viagem], mas não conseguíamos monitorar a frequência com que vinha para passar para eles. Mas então, eu fui tomar banho para ver se a dor passava, não sei o horário, mas foi por volta das 09 hrs.

Tomei dois banhos, um mais curto, que as dores se elevaram. E depois, o Cefas falou que tinha que ficar uns 40 minutos, conforme orientação. Então, eu voltei para o banho. Nessa hora o bicho pegou. Não me lembro mais da dor, só que não conseguia mais ficar de baixo d’água e nem conseguia sair de tão insuportável. Neste momento, não havia mais intervalo sem dor e eu estava imobilizada sem saber que atitude tomar.

A intenção era aguardar até as 14h para ir para Casa de Parto, porque já tínhamos consulta agendada, mas em contato com a equipe, conforme viram que já estava bem avançado o processo, disseram para irmos as 11h30, e; logo depois, para que fôssemos imediatamente, nisso já era umas 10:30 hrs, acredito.

Quando saí do chuveiro, me joguei na cama, sem condições nenhuma de fazer nada e foi quando o Cefas falou que iríamos naquele momento para Casa de Parto. Eu falei: – Não, eu não vou sair daqui! Eu não tenho como sair dessa cama, fala para eles virem! E estava rezando em pensamento. Nisso o Cefas foi buscar minha roupa, para me vestir. Eu pedi para apertar minha lombar e não soltar nunca mais, pois foi a única coisa que aliviou.

De repente, eu pensei, por que estou rezando em pensamento? Então comecei a gritar: – Mãe Maria, Mãe de Jesus, que conhece a agonia que eu passo, por favor, alivie minha dor mãe, eu não quero sofrer, eu quero sentir prazer. Por favor, amada Mãe, me ampare esteja comigo, me ajude a levantar dessa cama e conseguir chegar no carro. E repeti isso inúmeras vezes.

O Cefas me ajudou a me vestir e quando levantei da cama, o milagre aconteceu: parei de sentir dor! E conseguir andar até o carro! No caminho a Casa de Parto, elas voltaram. Eu sentei no banco da frente de pernas abertas para cima (pensa a situação). Os olhos permaneceram fechados quase o caminho todo, na tentativa de conter a dor de alguma forma.

Quando chegamos na Luz de Candeeiro, tive que subir de cadeira de rodas, pois não conseguia andar. Lembro que bem na entrada tinha uma moça grávida esperando para ser atendida, mesmo morrendo de dor, eu abri um sorriso para cumprimenta-lá. Mais tarde, as enfermeiras me disseram que ela chorou de emoção, que mesmo naquele momento eu fui gentil, sem necessidade alguma (tão linda, ela, né?)

Quando cheguei no quarto em que iria parir, cujo nome é Apartamento Ipê, já estava lá uma das anjas que iria me assistir, a Simone. A Simone na verdade, estava na entrada da Casa, quando ainda estava na cadeira de rodas, ela passou a mão na minha barriga, que por uns instantes não senti dor alguma. Eu jurava que era alguma técnica de acupuntura, ou algo assim , mas quando falei isso para ela, ela achou legal, mas deu para perceber que não era nada disso. Então tive a nítida certeza que das mãos dela saia cura, mãos curadoras, que aliviavam dor.

Mas logo que cheguei no quarto, fui já tirando minha roupa e ajoelhando no chão e me apoiando na cama, na posição de quatro apoios. Ali senti muita dor, virei para o Cefas que estava ao meu lado e disse: – Escuta bem, eu nunca mais vou engravidar! Amanhã mesmo volto a tomar remédio.

Nisso a Simone me deitou na cama e para fazer o toque. Quando ela fez o toque veio a surpresa: – você já está com 8 cm de dilatação. O Cefas ficou em júbilos, depois que ela fez o toque, me joguei na cama e ele falou no meu ouvido: – olha, meu amor, você está muito bem, que alegria. Eu não conseguia sorrir e nem não continuar estressada, só virei para ele e falei: – Legal, eu estou feliz, só não estou achando graça, porque a dor não deixa. Em casa, ele me confessou que no caminho para a Casa de Parto ele estava mentalizando: – se ela estiver com 5 cm de dilatação está muito bem (rsrsrs).

Depois lembro que voltei a ajoelhar no chão de novo esperando a banheira encher. Nisso, chegou o segundo anjo que me assistiu, a Iara. Ela me cumprimentou, mas dessa vez não tive mais tanta força para ser gentil, já estava bem encapsulada em mim.

Ali, gente, fiz um xixizão no chão e não senti pudor nenhum, porque tinha horas que estava tentando fazer e não saía, desde de manhã, nem cocô e nem xixi. Quando o xixi saiu, eu senti alegria de verdade. Mas ali teve horas que eu levantava meu corpo e dizia: – oh meu Deus, onde eu estava com a cabeça, por que não escolhi a bendita da cesárea? por que transei sem camisinha? Eu sou muito doida mesmo, as pessoas estão certas ao meu respeito (kkkkkkkkkkk).

Aí a banheira encheu e fui para lá. Ah… mas antes disso, lembro que pedi para Simone passar as mãos nas minhas costas, eu falei assim: – Eu quero as mãos da Simone nas minhas costas, só elas me aliviam! Gente, ela só deslizou a mão, eu senti uma coisa muito boa.

Mas lá na banheira, eu fiquei deitada e comecei a fazer força para sair cocô. Naquela hora, eu não me liguei que estava começando o expulsivo. Na verdade, eu queria tanto fazer cocô, que só pensava nisso, e aí saiu bastante cocô e eu fiquei satisfeita. (O Cefas que estava do lado, disse que não saiu bastante cocô, que foi quase nada, mas enfim, saiu o suficiente para me desoprimir, pois desde a madrugada que estava querendo e não conseguia)

Ali na banheira, houve momentos em que gritei, em que lastimei, pedi algum remédio milagroso que levasse a dor e tirasse o bebê, que cantei uma música para Maria Augusta, que fiz piada, que gritei o nome da Maria Augusta, que soltei um modesto “PQP”. (Essas são as coisas que me lembro)

Até que chegou uma momento em que eu comecei a sentir pressão na vagina e eu fiquei assim, impressionada, verei para o Cefas e falei: – agora estou sentindo pressão é na periquita ,viu?? Eu nunca tinha sentido aquilo gente, a vagina se abrindo. E ali foi que comecei a fazer força mesmo. Como estava sentido dor, não queria virar, então permaneci deitada por algum tempo, com as pernas abertas.

Mas então, me veio um pensamento: – Vamos no sentido da gravidade. E lentamente, com o auxilio dos anjos que estavam ao meu lado, me virei e fiquei na posição de quatro apoios. Então gente, comecei a fazer força, quando vinha a contração e sentia a vagina abrindo. Na verdade, ela já estava dilatada, né? Era só a cabeça descendo mesmo.

Então a Iara falou para o Cefas: – Papai é hora de se preparar, tirar a camisa para o contato pele a pelo com bebê, vir aqui para atrás. Não demorou muito, eu senti aquela dor lacerante, um pedacinho da cabeça tinha saído. Nesse pedacinho, a Maria Augusta já soltou um som, então eu pensei que tinha nascido, até pela dor que tinha sentido (rsrsrs).

Então, me deram ela ainda na banheira. Fiquei um pouco com ela na banheira. Recebi ocitocina para conter o sangue nesta hora. E depois fomos as duas para cama, Maguzinha já no meu colo, ainda conectada a placenta. Quando já estava na cama, deitada, eu não lembro como foi, se veio contração, mas pari a placenta e ela saiu completinha, linda, quentinha, a coisa mais perfeita. Quando o cordão umbilical parou de pulsar, o Cefas cortou. Antes de me vestir, eu amamentei um pouco a Magu.

Depois disso, tivemos nosso momento de privacidade e descanso. Na verdade, eu não lembro direito a ordem, mas fizeram os testes com a Magu, trouxeram almoço para a gente e depois ficamos duas horas deitados descansando. Lá pelas 18h, preenchemos as documentações e recebemos orientação e aí tomei um banho para ir para casa.

Esta foi a saga, a mais linda que poderia ter vivido. Um trabalho de parto rápido, porém muito intenso e que foi transformador para mim e para o Cefas, um salto quântico em nossas vidas.

Para quem me acompanha mais na intimidade, tive a ousadia que compartilhar que desejava um parto orgástico e sem dor, que acabou não rolando. Na verdade, senti dor apenas na fase ativa do parto, antes disso não senti nada, ou então a fase latente foi bem rápida mesmo, pois tudo começou as 03h da manhã e terminou as 12h45min.

O que penso do meu desejo não ter se realizado? O que constatei é que o meu grau de maturidade era para viver exatamente o que vivi, a potência do Sagrado Feminino se manifestou de uma maneira muito forte através de mim, no momento do parto, mas eu ainda representava a persona da mulher forte guerreira, então, se não tivesse sentido as dores, não teria concluído a etapa que precisava. Acredito que o parto orgástico se manifesta na mulher que já entrou na fase da persona “anciã” do Sagrado Feminino, que tem mais leveza, mais sabedoria, mais tranquilidade.

Foi um parto acompanhado pelo pai-doulo, duas enfermeiras-obstetras e uma equipe espiritual gigantesca que estava em contato a muito tempo e que foi representada pela “Mãe Maria”. Realmente não precisava de mais nada. Havia um ambiente harmonioso, respeitoso, profissionais competentes e pais seguros.

Quero mencionar a Luz de Candeeiro de uma forma muito especial, porque o trabalho que eles fazem é de valor incomensurável! Eles nos dão amparo, instrução, informação, além de ter muito amor, cuidado e delicadeza em cada consulta que a gente vai. Antes deles, fui em três médicos, cujo atendimento era apressado, raso, em que a sacralidade de trazer uma vida ao planeta Terra era totalmente negligenciada. Este foi o principal diferencial deles. Existe um propósito no trabalho deles e é perceptível de imediato ao chegar lá. Trabalhos como este devem ser evidenciados cada vez mais. Meu desejo é que todas as mães tenham a oportunidade de receber esse cuidado, nunca vou me esquecer da experiência mais linda que vivi.

A primeira vez que fui lá, na Casa Aberta, que é um dia que eles disponibilizam para a gente ir conhecer a Casa e o trabalho deles, eu fiquei encantada. Fomos recebidos pela Ana Cyntia que tirou a dúvida de todos os casais, respondia com simplicidade, mas com um vasto conhecimento. Equivaleria a participar de uma palestra sobre gestação. Depois de horas de conversa, fomos conhecer os apartamentos e ficamos maravilhados.

O que mais me gerou o desejo de fazer o parto lá foi a questão de que não existe um profissional ao qual iremos confiar o parto, porém, será assistido pela dupla de enfermeiras que estiver na escala e, se for para o hospital, o médico que estará sobre aviso.

Quando soube disso meu coração deu pulos de alegria, porque a ideia de confiar o meu destino a alguém me deixava estressada. Logo que engravidei o que mais me perguntaram era: – você já encontrou o seu médico? Aquilo me deixava em apuros, porque é como se a condição para ter um bom parto, fosse ter um médico responsável por mim. Eu queria um local em que não tivesse que me preocupar com o profissional que estivesse comigo no momento do parto, em que eu simplesmente pudesse parir e ser assistida, no que fosse necessário.

E lá é assim, as consultas são sempre com enfermeiras obstetras ou médicos que estejam na escala, toda a equipe te acompanha. Então no decorrer dos encontros você vai conhecendo todo mundo. E é incrível, em cada consulta, mesmo que você vá conhecer a enfermeira naquele dia, elas te atendem de uma forma tão especial, sabem quem é você, quem é o seu companheiro, o seu bebê! Existe uma pessoalidade no tratamento, fazem com que nos sintamos especiais! Por isso confiei demais na equipe e de que tudo ia dar certo.

A sensação que a Luz de Candeeiro me deu é de ser uma instituição de planos espirituais mais elevados que por merecimento foi materializada aqui na Terra. Porque existe uma alinhamento, que até hoje eu desconhecia, entre os profissionais. Não importava quem estivesse lá para atender, aquele que era o trabalho deles, sempre estava disponível, quando chegávamos lá. Isso é lindo!

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