Relato de parto da Letícia, nascimento da Olívia.

por | jul 11, 2022 | Relatos de Parto

Eu tive o melhor parto que poderíamos ter. A via de parto realmente não fez diferença. Foi tudo tão mágico, tão respeitoso que não fez diferença.

PREÂMBULO

Antes de chegar ao parto em si é importante fazer um preâmbulo. Com 30/32 semanas, Olívia ainda estava sentadinha. Com a cabeça na minha costela direita. Não saía muito dessa posição. Aí, com orientação da nossa equipe Luz, começamos os convites para ela virar: spinning babies, acupuntura, moxa, muita caminhada. Nada. Fizemos então a VCE (versão cefálica externa). Mais um convite à virada. Estava animada e ansiosa. Queria muito que ela virasse. Fizemos o convite. Não rolou. Descobrimos que ela estava com a cabeça entre a placenta e a pontinha do meu útero (meu útero é bicorno, então tem uma pontinha como se fosse um coração).
Tudo bem. O que faremos agora?

Desde sempre tinha muita expectativa de ter um parto leve. Achava que a única forma era com parto normal. Tinha muitos medos. Conversei com muitas amigas. li vários relatos. Conversamos muito com a equipe. Cogitamos fazer o normal, mas eram muitos itens nessa equação. Não era “só” a questão de ela estar sentada. O formato do útero também era uma questão que não dava para ignorar.

Decidimos, junto com a equipe, esperar ela querer nascer e dar todos os sinais de ‘mamaim, papai, to chegando!’ e aí fazer uma cesárea.

O PARTO

Fui acordada as 5h com uma cólica diferente. Eu vi essa dor como uma coroa dourada modernosa em volta da minha cintura mais baixa. Tive algumas contrações. Estavam diferentes, mas estavam leves e irregulares.
Já tinha tido muita contração de treinamento, mas sentia lá no fundo que estava diferente. De repente as contrações começaram a diminuir e eu senti muito sono. E também uma calma enorme. Dormi. Descansei bastante.
Coincidentemente, era dia de avaliação física. Estava tendo contrações em um ritmo maluquinho, coisa que estava tendo há algumas semanas, mas algo estava diferente. Eu estava diferente. Estava mais voltada pra dentro. Mais em paz. E a sensação das contrações estava diferente também. Não sei explicar.

Ao chegar na Luz, a Ana Cyntia me avaliou. Contei o que havia sentido e ela falou que essa sensação da ‘cinta’ é bem comum em início de trabalho de parto. Já estava com o colo mole. Olívia estava chegando, mas sem necessidade de pressa. Voltamos pra casa. Almoçamos. Descansamos mais um pouco. Sempre em contato com a equipe.

E aí as contrações mudaram. Ficaram bem mais intensas e a distância entre elas começou a reduzir. Tomei um banho gostoso, mas as contrações continuavam a vir cada vez mais intensamente.
Hora de ir para o hospital.

Estava feliz e tranquila. Se bobear, nunca estive tão tranquila na minha vida.


Me permiti sentir as contrações. Existia dor, mas era diferente de qualquer outra dor que já havia sentido. Ia para outra dimensão quando elas vinham. Era um convite compulsório a uma outra dimensão. Eu me voltava pra mim, para o que estava acontecendo com o meu corpo.

Chegamos e já fui recebida por uma enfermeira com uma cadeira de rodas para me levar para o centro cirúrgico. Logo em seguida encontrei a Renata, uma das obstetras que cuidou da gente. Ali comecei a chorar, ou melhor, meus olhos produziam muitas lágrimas.


‘Você tá bem, querida?’, perguntou a Renata.
‘To ótima. Não sei porque tô chorando’

Hoje, pensando em retrospecto, acho que foi pq minha filha realmente tava chegando é porque relaxei mais. Como Olívia estava sentadinha, acho que em algum lugar tinha receio dela querer vir logo. Chegar chegando com o pezinho haha

Tudo pronto. Fomos para o centro cirúrgico. Aí desligaram as luzes, colocaram nossas músicas e aí pronto. Fui ainda mais para a dimensão que as contrações me levavam.

Nati, minha amiga desde sempre e agora também minha obstetra, me abraçou enquanto tomava anestesia.
Estava com o coração tranquilo e muito muito muito emocionada.
Um tempinho depois…. Às 16:46 Alguém fala ‘Nasceu!’
Coração tremeu.


Uma emoção muito diferente de tudo o que já senti. Uma mistura de ‘eita que legal’ com ‘e agora’ e com quentinho no coração. Me senti muito conectada com o Daniel, meu parceiro de vida, meu marido e agora pai da Olívia.
Ela veio direto para o meu peito. Choraaaava. E eu só a admirava. E tentava entender o que tava acontecendo. Meu mundo tava mudando de direção ali, naquele momento. Senti o movimento, mas só ia entender a direção algum tempo depois. Enquanto estava no meu peito rolou o primeiro mamá. Nhac. Pegou o meu peito e não largou. Uau! Que sensação estranha. Essa pituquinha era pequenininha, mas era forte. Pegou meu peito e sugou com voracidade. Confesso que foi uma sensação estranha e totalmente diferente do que esperava. Muitas dúvidas na minha cabeça (isso é assim mesmo?), mas feliz (muito feliz) por estar naquele momento.

Gi, a nossa enfermeira, ficou do nosso lado o tempo todo apoiando e explicando tudo o que estava acontecendo.


Acho que nunca vivi tanta novidade em tão pouco tempo. O engraçado é que em tese eu me preparei para aquele momento, mas a verdade é que nada te prepara de verdade para a maternidade.

Entrei na jornada da maternidade com a sensação de ter fechado um ciclo. Fico feliz por ter conseguido me jogar e só sentir. Estava feliz por estar com o Daniel nessa jornada. Nossa equipe Luz de parto fez toda a diferença. Me senti segura e amparada o tempo todo. Meu parto encerrou bem o capítulo da gravidez. Agora me sentia pronta para o próximo capítulo.

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