Técnica Windmill para placentas retidas

Técnica Windmill para placentas retidas

Este post foi escrito pensando nos profissionais que atendem parto, seja em casa, centros de parto ou hospital.

Todos nós sabemos o quanto é difícil lidar com uma placenta retida, logo vem na cabeça aquela preocupação com hemorragia pós parto, acesso venoso, medidas para evitar choque etc. E é bom que seja assim, pois hemorragia pós parto é a responsável pelo maior número de mortes maternas no mundo.

Nos partos domiciliares somos mais tolerantes com o tempo de espera para a saída da placenta, e normalmente ela não costuma demorar a sair. Isso porque o fato de não separar mãe e bebê após o nascimento produz um pico de ocitocina tão grande que a placenta logo descola após o parto. O contato do bebê com o seio materno, mesmo que ainda não esteja sugando, também é capaz de produzir ocitocina na mãe. E um terceiro fator muito importante: quando o bebê é levado para longe da mãe logo após o nascimento, a primeira reação da mulher é olhar para o companheiro e dizer: “vai atrás dele”. Ao invés de estar liberando a ocitocina para a placenta sair, essa mulher está liberando adrenalina, hormônio do estresse, que concorre pelos mesmos receptores da ocitocina; onde tem um desses hormônios, o outro não pode atuar como deveria.

Marília, Manu e a melhor maneira de prevenir retenção placentária: contato precoce e sem pressa! Foto de Débora Amorim.

Mas ainda assim raramente pode acontecer retenção placentária e precisamos estar atentos e prontos para tomar conduta.

Pois bem, acabou de sair do forno um estudo no European Journal of Obstétrica & Gynaecology and Reproductive Biology (Agosto 2017, vol. 215, pai.6-11) com o título: “The WindMill technique avoids manual removam of the retained placenta – A new solution for an old problem”, ou algo como “A técnica Windmill previne a remoção manual da placenta retida – uma nova solução para um velho problema”.

Trata-se de um estudo caso controle, retrospectivo, que analisou casos de retenção placentária (após 30 minutos do nascimento) durante 3 anos em um hospital de Berlim. Os casos controles foram os que tiveram remoção manual da placenta e os casos estudados os que utilizaram a técnica Windmill.

A técnica é bastante simples, consiste em tracionar o cordão umbilical continuamente em uma rotação de 360 graus, perpendicular ao canal de parto, rente ao introito vaginal. Aqui você tem um  link com uma explicação bem didática de como esse movimento muda a direção do vetor de força e auxilia na dequitação.

Nos resultados foi encontrada redução estatisticamente significativa na quantidade de sangue perdida e níveis de hemoglobina pós parto, no tempo da saída da placenta, uso de antibiótico profilático e uso de anestesia geral em comparação ao grupo controle. Os autores concluem que a técnica Windmill é uma técnica simples, segura, efetiva e fácil que reduz a remoção manual da placenta e sangramento pós parto.

Particularmente achei exagerado o título, porque estamos falando de 14 pacientes no grupo da técnica Windmill e 17 no grupo da remoção manual da placenta. Mas para quem atende parto, principalmente em ambiente fora do hospital, pode ser uma boa opção a tentativa dessa técnica antes de um encaminhamento para o hospital e, para quem atende partos dentro da instituição, uma possibilidade de evitar a remoção manual da placenta.

Como parteiras, esperamos que esse post possa chegar ao maior número de profissionais que atendem parto, seja dentro ou fora do hospital. Conhecimento é para ser compartilhado, e nesse caso, pode salvar vidas!