Um processo de muito aprendizado, de entregar, confiar, aceitar e agradecer…

Relato de parto da Ana Vitória, nascimento do Érico

O Parto do Érico começou na gestação, isso antes de entrar em trabalho de parto em si.

Gestação saudável e ativa, planejei tudo que era possível para a chegada do neném, como nos meus sonhos. Pré natal na Luz de Candeeiro , esporte, nutricionista, spnning babies, reforma da casa, estudo, enxoval consciente, fisioterapia pélvica, espiritualidade, acupuntura… pronto, tudo sobre o controle! Só que não! O que mais aprendi é que controle não tenho, de nada! Tá tudo sobre o controle e domínio de Deus!

Por que falo isso? Na última do segundo tempo, com 38 semanas, fui diagnosticada com diabete gestacional tardia descompensada! Um susto, pois sentia que evoluía tão bem na gestação, sem mal estar, exames em dia, e todo uma rotina aparentemente saudável…
Porém o Neném cresceu mais que o esperado para idade gestacional, portanto, o desfecho.

Graças a Deus fui acompanhada pela Luz de Candeeiro, uma equipe experiente e consciente, baseando suas decisões em evidências atualizadas, agindo com calma e prudência, direcionou o local de parto para o ambiente hospitalar, para ter mais suporte, caso seja necessário.

Eu fiquei triste no início, pois confesso que parir na luz fazia parte do meu sonho, um local acolhedor com toda ambiência humanizada. Porem como diz a sabia parteira Iara “você engravidou para ter uma criança e não para parir no lugar x”, e assim fui me conformando com a realidade e me acalmando para focar no que mais importa, parir minha criança com saúde!

Entretanto, a escolha do hospital era uma questão a ser solucionada, pois meu plano de saúde ainda se encontrava em carência para parto a termo, fica a dica! ( se quer engravidar, contrate o plano de saúde com antecedência! ) portanto, nesse cenário, só era possível continuar com assistência da luz no hospital particular.

Cogitamos ir para o hospital público, por economia financeira, mas pesamos na balança, e o valor que tem a equipe da Luz de Candeeiro, valia o investimento de arcar também com os custos do hospital particular, pois foram meses de construção de confiança e amizade, através das consultas e pré natal, e na minha primeira travessia do parto sentia que precisava da luz deles para conseguir chegar do outro lado!

Decidido o local de parto, começamos a chamar o neném, convidar ele para nascer de forma gentil e mecânica, sem medicamentos, pois no quadro de gravidez de risco, precisava nascer até 39 semanas. Na minha cabeça tentava não ficar ansiosa, deixar meu corpo responder aos estímulos da acupuntura, deslocamento de membrana, óleo de prímula, meditações, caminhadas e muuuuita oração!

Um trabalho em equipe foi chamar o parto, mas de fato, só fui entrar em trabalho de parto mesmo quando colocamos a sonda de foley, no dia 27 de julho, pela manhã, na Casa de parto, onde lá fiquei de observação.

Iniciava no dia 27/7 a travessia, entrei na fase latente, contrações vinham, doíam, mas não tinha frequência ritmada.
Vocalização, bola,massagem, tecido, chuveiro, movimentação livre, até que a sonda caiu, e o corpo diminuiu a resposta ao estímulo da sonda, intensidade das contrações diminuíram e se espaçaram mais ainda.

Voltei para casa para dormir, e na manhã seguinte ir para o hospital caso não entrasse em trabalho de parto na madrugada. No meu pensamento eu ia ter meu neném de forma natural, sem indução medicamentosa, que meu corpo sabe parir e responder a todos estímulos que demos a ele. Em silêncio me firmava nesse pensamento, e no mantra, entrego, aceito, confio e agradeço!

Em casa chegamos, nos aninhamos na nossa cama, deitada sentia leve contrações, lendo relato de parto, escuto um som de um estralo, igual aqueles que a gente faz com a língua. “A bolsa estourou” falei pro Vitor, as 22:10. As dores vinham, parecia que apertei o play, aaaaaaaaaah que dor! Sem intervalo, uma contração emendada na outra. Em casa ainda, vomitei, caguei, chorei, respirei fundo, gritei “vamo pro hospitaaaaal!” Vítor com a maior calma, ligou pra equipe e doula.

Eu já no carro me contorcendo de tamanha dor, ele avisa que vamos esperar a doula, Ana Celeste chegar para ir juntos para casa de parto. Para mim foi uma surpresa, “Casa de parto?” , na minha cabeça era hospital, e como Deus sempre é bom, deu um jeito de me presentear com um trabalho de parto na casa de parto, como eu sonhava.

Chegamos na Luz de candeeiro, 22:30, nessa altura já não raciocinava bem, definitivamente estava na fase ativa de parto, e com certeza na partolandia, a dor era tanta que só sabia gritaaaaaaaar, inconscientemente, gritei tudo que estava engasgado, um ato de liberdade!

E lá encontrei Giovana @giovana.enfermeiraobstetra , pequena no seu tamanho, mas gigante na sua potência de parteira, que calma e firmeza! Em flashback de memórias lembro dela me conduzindo para chuveiro, é só pelo seu olhar me dava confiança que ia conseguir atravessar essas ondas de contrações.
É que ondas!!! Me vi num mar com ressaca, onde uma onda quebrava e outra já estava formando. Intervalo de 10 minutos tinha 9 contrações, quase sem intervalo para inspirar profundamente! Que intensidade, que contrações ferozes, lembrei do surf, ele e as vacas que levei no mar me preparam para esse momento!

Imersa em mim, não importava onde estava, e sim quem estava ao meu lado. Ana Celeste, minha doula e amiga de infância, suas massagens aliviavam a dor que parecia rasgar minha lombar! Vale ouro!

Tinha banheira, bola, espaldar, mas nada disso ganhou o meu lugar preferido, a beirada da cama, sentada ali, me firmei, pois não tinha mais forças para gritar e nem falar. Um momento onde só se ouvia sussurros e silêncio, as contrações estavam presentes com uma intensidade muito maior.

Vítor, meu grade amor, sua presença, num silencio muito respeitoso, conduzia minha respiração silenciosa, conectados, ele ali me ancorava, o silêncio e a profunda respiração me reabastecia de energia para a chegada do nosso neném!

Foram minutos de silêncio, só concentrada em inspirar e expirar com a mandíbula aberta, até que veio uma contração com a vontade de fazer força para baixo, aaaaaaaaaah, nessa hora dei o maior grito da minha alma! Uma força ancestral, antiga me apresentou naquele minuto! Na terceira contração, no toque Giovana, sinalizou a hora de ir para hospital, “vamos Vítor! Pega somente o essencial!”, ela com serenidade e seriedade nos apressou a ir!

Meu Deus! Pensei, não posso ter meu neném no carro! Concentra Ana Vitória!
Tá chegando próximo! Saímos da casa de parto as 00:15, eu busquei me concentrar em Deus e meus guias espirituais, para não ficar na dor, que era gigantesca para fazer forca para baixo, força de parir!

Chegando na maternidade, só sabia gritar “tá nascendo!!!!!!” Sai do carro e pulei na maca no meio de uma contração, até agora não sei como fiz isso! Kkkkk chegamos na sala de parto humanizado da maternidade de Brasília as 00:30, Ana Celeste ainda perguntou se eu queria encontra outra posição para parir, estava de 4 apoios, a última posição que imaginava parir, mas nesse momento só pensava “cadê o doutor?” Eu olhava pro lado procurava do amigo Juliano e Giovana, e gritava “Doutoooooor Julianoooo” kkkk estava segurando a força, uma vontade absurda de fazer coco, de empurrar para baixo, e eu segurando, esperando eles chegarem! Meus guias da travessia, eles tinham que estar junto!

No fundo eu tbm tava pensando “nem a pau que vou pagar, mais equipe plantonista, vou esperar a equipe da luz chegar!” Kkkkkk lembra daquela menina que quer ter o controle? Bem o pensamento dela!

Eis que chega os parteiros, Juliano e Giovana! “Ufa, que alívio! Agora só vai”
Não sabíamos o sexo do neném, mas minha intuição dizia ser um menino!
“Vem meu filhinho” gritei na força do puxo, e lentamente, eis que nasceu!

Ao som de canto de louvor de Leci estrada, às 00:47… “é um menino” pela surpresa do pai, e a confirmação do que já sentia desde a gestação, nosso menino nasceu, Érico, lindo, saudável e gordinho com 3960 kg e 50 cm de comprimento, amparado pelas mãos do amigo parteiro Dr. Juliano e Giovana!

No meu colo sentimos o calor de nossas peles, cheiro de vernix ( o cheiro do céu !) 1 hora de puro amor, onde mamou e se aninhou nos meus braços e no carinho do pai!

Vítor acompanhou tudo, cortou o cordão, surpreendeu muita gente, os familiares duvidavam que ele ia conseguir estar presente, ele não me deixava dúvidas, esteve presente de corpo e alma, gentileza e muita calma! um parceiro, peço a Deus que seja para vida toda!

Um parto humanizado, respeitoso, muito melhor do que imaginava! Entregar para Deus tudo foi engrandecedor, foi tudo como tinha que ser! Érico nasceu forte, saudável cada dia mais! Não teve nenhum risco que era sujeito pela gestação de risco, graças a Deus!

Grata Deus e Nossa Senhora por esse presente, a vida, e poder gerar e ser portal para outras vidas!

Grata meu eterno companheiro, Vítor por tudo, pelo seu gene e presença na formação do nosso melhor projeto e criação, a vida do nosso filho!

Grata Ana Celeste @anacelodi , por toda escuta e mãos amiga, suas massagens são terapêuticas!

Grata a tooooda equipe da Luz de Candeeiro , vocês iluminaram minha travessia e o nascimento do Érico ☀️! Nosso encontro foi repleto de amor, respeito, guarnição e muita ocitocina ❤️
Guardo vocês no coração, amigos para vida toda!

E quero ser grata a mim mesma! Kkkkk sério! Aquela menina, hoje é uma mulher, que colheu seu fruto🙏🏻 eu consegui pari sem anestesia, em honra as minhas ancestrais, mãe, avós e todas que vieram antes para eu estar aqui hoje!

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